terça-feira, 5 de junho de 2012

noite boa foi aquela

noite boa foi aquela,
tomamos cerveja atras da outra,
e em meio nossa embriaguez,
eu só entendia o quanto te queria entre minhas pernas.
você só entendia o quanto queria em pé e deitada,
e me falou de olhos bem vermelhos:
dorme comigo, fica comigo, acorda comigo.
Eu fui boi na boiada,
peixe na sua rede,
o que era proibido,
ficou sem ser.
de manhã eu tinha marcas no pescoço,
e você marcas por todo corpo,
eu trabalhei com camisa de gola alta,
com um sorriso safado no canto do lábio,
que ainda exalava você.

Tai

Ainda existem coisas,
Nas quais não ouso tocar,
Não abro gavetas,
Não mexo na roupa pendurada,
Não mudo os móveis de lugar,
Não ouso pensar,
E não quero ousar.
Ainda existem coisas,
Existem ainda coisas mofadas,
Deixadas de lado,
Nas quais não ouso pensar,
Uma lágrima escorre aqui,
E a outra acolá,
Dia sim e outro também,
Com vontade própria,
Sem tocar o pensamento,
Escorre com vida própria,
Propriamente escorrida,
E eu nao tenho nada a declarar,
Uma pomba voou da janela,
Do 13º andar,
E está declarado.

vida alugada

quando moramos fora,
alugamos uma vida,
onde os travesseiros nunca vão ter o cheiro,
da sua mãe,
da sua vó,
do seu próprio cabelo,
as cores da bandeira ficam opaca,
e você perde a identidade.
vez em quando você olha no espelho,
e vê seu pai, sua mãe e o seu cachorro refletido,
e você vai "grisalhando" rápido.
você aluga uma vida,
por um tempo,
perde sua essência,
e muda de pátria descaradamente,
limpa coco, limpa xixi,
limpa coco e limpa xixi,
sua bandeira vai perdendo a cor e fica cinza,
despatriado você se sente eternamente,
mesmo quando volta pra casa,
já não é a sua casa,
quando toca o hino,
você dá risada,
descaradamente.
seu hino já não é seu hino,
você é orfão,
de pai, de mãe, de cachorro e papagaio.

sábado, 2 de junho de 2012

germes

eu vejo nos olhos das pessoas,
o que não quero ver.
o respiro de cada dissimulação,
de cada suspiro venenoso.
e pra que?
para manter o emprego,
para o aumento de salário,
para levar a fama de algo,
mas de verdade....pra que?
os germes se espalham,
as bactérias contaminam,
em cada sorriso dissimulado,
em cada passo falsificado,
mas meu deus....de verdade....pra que?
let me out of here.


acabou

não sei se eu,
não sei se tu,
não sei quem acabou com quem...
o espaço para a falta de explicação,
a culpa sei se eu,
sei se tu,
de não querer mais saber,
acabou...
o já sentir a falta do cheiro,
o já sentir a falta do peso na cama,
o desespero ao fechar os olhos,
o desespero ao termino do dia,
o desligar da Tv,
o despertar do relógio,
o acordar do vazio,
o viver sem ter a volta,
o medo de não querer ouvir,
acabou....acabou....acabou....
o acabou de verdade,
não o acabou do blefe,
da briga e do charme,
o da certeza do agora o da verdade
acabou.
não sei se eu,
não sei se tu,
eu sei que eu.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

boca ardente

ainda que soubesse desvendar sua boca macia,
suave, delírio em brasa,
em cima em baixo,
dos lados palpitando em língua ardente,
me beijando, aquecendo a mente,
aqui, ali, deslizando pro abismo do meu riacho.
Ainda que soubesse boca ardente,
que estou doente, delirantemente, viciosamente,
quero ser a prisioneira da sua boca ardente,
e viver dessa masmorra, dessa Sodoma, dessa Gomorra.

tropeços

nesta vida que chamamos de louca,
passo- a- passo, ano- a- ano
deixamos que ela nos arranque pedaços,
uma vem nos dá uma flor e esta morre,
vem outra e nos dá colo e nos encostamos já com medo,
quando nos aconchegamos ela levanta e vai embora,
vem a outra nos dá o lenço,
quando enxugamos a lágrima ela nos faz chorar novamente,
vem este vento que traz a chuva,
vem a chuva para limpar a poeira,
vem a palavra e vem o silêncio,
vem o tombo e vem o tropeço,
e o tropeço fica e não vai embora.