quinta-feira, 31 de maio de 2012

boca ardente

ainda que soubesse desvendar sua boca macia,
suave, delírio em brasa,
em cima em baixo,
dos lados palpitando em língua ardente,
me beijando, aquecendo a mente,
aqui, ali, deslizando pro abismo do meu riacho.
Ainda que soubesse boca ardente,
que estou doente, delirantemente, viciosamente,
quero ser a prisioneira da sua boca ardente,
e viver dessa masmorra, dessa Sodoma, dessa Gomorra.

tropeços

nesta vida que chamamos de louca,
passo- a- passo, ano- a- ano
deixamos que ela nos arranque pedaços,
uma vem nos dá uma flor e esta morre,
vem outra e nos dá colo e nos encostamos já com medo,
quando nos aconchegamos ela levanta e vai embora,
vem a outra nos dá o lenço,
quando enxugamos a lágrima ela nos faz chorar novamente,
vem este vento que traz a chuva,
vem a chuva para limpar a poeira,
vem a palavra e vem o silêncio,
vem o tombo e vem o tropeço,
e o tropeço fica e não vai embora.