terça-feira, 5 de junho de 2012

fake estrela

consumi e tive o que quis e o que desejei ter,
calça, bolsa, relógio, e outras cositas mas,
celular, carro do ano, dinheiro no banco, coleção de cd´s
e outras cositas mas.
tudo é tão belo, tudo é tão falso,
nos sentimos até gente!
em meio a essa fantasia.
Então isso é pateticamente a felicidade,
A América terra de sonhos,
um lugar pra ser a fake estrela de pateticwood.
A estrela que não tem glitter,
que não vê a hora de voltar,
de ter o abraço apetado que ficou pra trás,
um peito para colar a face,
e de ser de verdade,
de simplesmente ser.

olhos negros

milhares de pessoas,
se esbarram nas ruas everyday,
nas ruas de qualquer lugar,
uns não pensam em nada,
outros fazem compras,
outros fazem planos,
outros pensam em matar,
outros pensam em morrer,
outros gritam,
outros falam sozinhos,
outros atrás de dinheiro,
outros dão dinheiro,
outros ouvem música.
É a vida das ruas,
rápida.
Na esquina o guarda apita desesperado,
grita com um homem que passa no sinal vermelho,
quase atropela os transeuntes,
que também gritam.
É a sinfonia das ruas,
barulho infernal,
non stop.
Paro e respiro com esta sinfonia,
onde está o violinista de olhos negros?

sorriso

leva um tempo,
pra gente reaprender a sorrir.
..... o tombo simples de uma criança,
ela tropeça e machuca o joelhinho,
desata a chorar,
alguém a pega no colo,
encoraja a andar novamente,
ela de repente pára,
e volta a andar novamente,
como se nada tivesse acontecido,
volta a brincar e a sorrir,
meio receosa a princípio,
depois corre e brinca e se descontrai,
até que ela acostuma a cair e levantar sozinha,
aquilo de cair e levantar já faz parte da vida.
o voltar a sorrir de um adulto é um pouco diferente,
é um sorriso sulcado nos cantos,
onde os olhos não fazem parte da graça.

partida

E repentinamente eu fui,
tinha as malas prontas disfarçadas dentro do closet,
esperando meu último suspiro de perplexidade.
de repente assim eu fui...
passagem comprada pra Conchichina do Bom Sossego,
motorista silencioso contratado esperando na porta.
tudo assim...com a impressão de que tudo foi repentino,
mas repentino estava avisado, repentino estava cansado.
primeiro foi um repentino aviso de que eu um dia pudesse ir,
depois do aviso repentino eu já estava indo,
assim aqui por dentro de mim,
eu já estava partindo esta partida,
mas só o espelho via essa carne partida, esse bolo partido.
assim um dia acordei,
peguei tudo ensacado e embalado a vácuo,
e te desejei boa sorte,
querendo te mandar na verdade, pros quintos dos infernos.
antes de sair de mala e cuia,
não tinha a certeza de nada,
de como seria minha volta pra vida,
a única certeza certa,
era a de que nunca mais,
era nunca mais,
mas nunca mais,
e nunca nunca mais mesmo.

ultimamente

por mais que eu não queira olhar pra trás,
eu me volto e vejo o passado,
que me pergunta,
por onde anda você.
Eu precisava estar ao seu lado,
sentindo a força do seu pulso forte,
me dizendo: vai filha....vai filha.
que ilusão a minha.
de onde foi que inventei que um dia teve um pulso forte?
que ilusão a minha, que desejo louco, que isso tivesse sido verdade,
dizendo: não tem pedra, não tem medo, não tem pesadelo. E esta chuva lá fora é só a natureza e vai passar, esta angustia ai dentro vai passar, sua solidão é só dia dia da rotina e vai passar, vai que a vida te espera lá fora, põe a cara fora da janela....
mas, que ilusão a minha, que desejo louco, que isso tivera sido verdade.

mas onde estará?
mesmo assim sinto saudade,
e quando olho no espelho vejo teu rosto,
sinto orgulho e medo, vejo de onde vim,
você foi um homem bonito,
seus olhos vivos, ficaram cansados,
será que foi a chuva,
que nunca passou que cravou seu rosto?
ou terá sido só o peso do tempo a desilusão ou a rotina?
nos meus passos, caminhando vou,
seguindo minha rotina, sem que a chuva passe,
sigo com a imagem de Cristo,
e as vezes peço a ele que seja meu pai,
que feche esta janela,
para que eu não veja o relâmpago que está la fora.


noite boa foi aquela

noite boa foi aquela,
tomamos cerveja atras da outra,
e em meio nossa embriaguez,
eu só entendia o quanto te queria entre minhas pernas.
você só entendia o quanto queria em pé e deitada,
e me falou de olhos bem vermelhos:
dorme comigo, fica comigo, acorda comigo.
Eu fui boi na boiada,
peixe na sua rede,
o que era proibido,
ficou sem ser.
de manhã eu tinha marcas no pescoço,
e você marcas por todo corpo,
eu trabalhei com camisa de gola alta,
com um sorriso safado no canto do lábio,
que ainda exalava você.

Tai

Ainda existem coisas,
Nas quais não ouso tocar,
Não abro gavetas,
Não mexo na roupa pendurada,
Não mudo os móveis de lugar,
Não ouso pensar,
E não quero ousar.
Ainda existem coisas,
Existem ainda coisas mofadas,
Deixadas de lado,
Nas quais não ouso pensar,
Uma lágrima escorre aqui,
E a outra acolá,
Dia sim e outro também,
Com vontade própria,
Sem tocar o pensamento,
Escorre com vida própria,
Propriamente escorrida,
E eu nao tenho nada a declarar,
Uma pomba voou da janela,
Do 13º andar,
E está declarado.

vida alugada

quando moramos fora,
alugamos uma vida,
onde os travesseiros nunca vão ter o cheiro,
da sua mãe,
da sua vó,
do seu próprio cabelo,
as cores da bandeira ficam opaca,
e você perde a identidade.
vez em quando você olha no espelho,
e vê seu pai, sua mãe e o seu cachorro refletido,
e você vai "grisalhando" rápido.
você aluga uma vida,
por um tempo,
perde sua essência,
e muda de pátria descaradamente,
limpa coco, limpa xixi,
limpa coco e limpa xixi,
sua bandeira vai perdendo a cor e fica cinza,
despatriado você se sente eternamente,
mesmo quando volta pra casa,
já não é a sua casa,
quando toca o hino,
você dá risada,
descaradamente.
seu hino já não é seu hino,
você é orfão,
de pai, de mãe, de cachorro e papagaio.

sábado, 2 de junho de 2012

germes

eu vejo nos olhos das pessoas,
o que não quero ver.
o respiro de cada dissimulação,
de cada suspiro venenoso.
e pra que?
para manter o emprego,
para o aumento de salário,
para levar a fama de algo,
mas de verdade....pra que?
os germes se espalham,
as bactérias contaminam,
em cada sorriso dissimulado,
em cada passo falsificado,
mas meu deus....de verdade....pra que?
let me out of here.


acabou

não sei se eu,
não sei se tu,
não sei quem acabou com quem...
o espaço para a falta de explicação,
a culpa sei se eu,
sei se tu,
de não querer mais saber,
acabou...
o já sentir a falta do cheiro,
o já sentir a falta do peso na cama,
o desespero ao fechar os olhos,
o desespero ao termino do dia,
o desligar da Tv,
o despertar do relógio,
o acordar do vazio,
o viver sem ter a volta,
o medo de não querer ouvir,
acabou....acabou....acabou....
o acabou de verdade,
não o acabou do blefe,
da briga e do charme,
o da certeza do agora o da verdade
acabou.
não sei se eu,
não sei se tu,
eu sei que eu.