terça-feira, 20 de novembro de 2012

Nada e mais perto do abismo

A palavra vazia
Disacerto
Duas linguas diferentes
Frente a frente que se beijam
Que se ferem numa manha sem sol
A palavra arranca perplexidade
Cria distancia entre os mundos
Partem em caminhos diferentes
Dias apos dia
A palavra cria fendas abre feridas
Entre entra entro e sai
Sai de boca sem destreza
Deselegante e eficaz
Eu fico no quarto voce fica na sala
Eu no meu vc no seu mundo
A distancia da palavra
O filme da cabeca passa...o que foi e o que deveria ser dito
Nada deveria ter sido
O mundo deveria ser lido pelos olhos
E a boca deveria pegar prisao perpetua.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Eu grito calada

Triste é a canção que se ouve calada,
Triste é a canção que se canta calada,
E a platéia é cega ou finge que está momentaneamente,
Muda é a verdadeira muda,
A que não quer mais falar,
Aquela que não fala.
E o surdo,
Aquele que não quer ouvir,
Que finge ouvir,
Que tampa os ouvidos,
Final de show,
Final triste,
Não há o que ouvir,
Não há o que dizer,
E tampouco há vontade,
Explicações....silêncio....surte o mesmo efeito,
Nessa sinfonia de erros,
A explicação é de um efeito ensurdecedor,
Cansar de ouvir cansar de falar,
Os meus ouvidos doem,
No final do silêncio
Eu canto calada, eu ouço surda, eu grito surtada.

terça-feira, 5 de junho de 2012

fake estrela

consumi e tive o que quis e o que desejei ter,
calça, bolsa, relógio, e outras cositas mas,
celular, carro do ano, dinheiro no banco, coleção de cd´s
e outras cositas mas.
tudo é tão belo, tudo é tão falso,
nos sentimos até gente!
em meio a essa fantasia.
Então isso é pateticamente a felicidade,
A América terra de sonhos,
um lugar pra ser a fake estrela de pateticwood.
A estrela que não tem glitter,
que não vê a hora de voltar,
de ter o abraço apetado que ficou pra trás,
um peito para colar a face,
e de ser de verdade,
de simplesmente ser.

olhos negros

milhares de pessoas,
se esbarram nas ruas everyday,
nas ruas de qualquer lugar,
uns não pensam em nada,
outros fazem compras,
outros fazem planos,
outros pensam em matar,
outros pensam em morrer,
outros gritam,
outros falam sozinhos,
outros atrás de dinheiro,
outros dão dinheiro,
outros ouvem música.
É a vida das ruas,
rápida.
Na esquina o guarda apita desesperado,
grita com um homem que passa no sinal vermelho,
quase atropela os transeuntes,
que também gritam.
É a sinfonia das ruas,
barulho infernal,
non stop.
Paro e respiro com esta sinfonia,
onde está o violinista de olhos negros?

sorriso

leva um tempo,
pra gente reaprender a sorrir.
..... o tombo simples de uma criança,
ela tropeça e machuca o joelhinho,
desata a chorar,
alguém a pega no colo,
encoraja a andar novamente,
ela de repente pára,
e volta a andar novamente,
como se nada tivesse acontecido,
volta a brincar e a sorrir,
meio receosa a princípio,
depois corre e brinca e se descontrai,
até que ela acostuma a cair e levantar sozinha,
aquilo de cair e levantar já faz parte da vida.
o voltar a sorrir de um adulto é um pouco diferente,
é um sorriso sulcado nos cantos,
onde os olhos não fazem parte da graça.

partida

E repentinamente eu fui,
tinha as malas prontas disfarçadas dentro do closet,
esperando meu último suspiro de perplexidade.
de repente assim eu fui...
passagem comprada pra Conchichina do Bom Sossego,
motorista silencioso contratado esperando na porta.
tudo assim...com a impressão de que tudo foi repentino,
mas repentino estava avisado, repentino estava cansado.
primeiro foi um repentino aviso de que eu um dia pudesse ir,
depois do aviso repentino eu já estava indo,
assim aqui por dentro de mim,
eu já estava partindo esta partida,
mas só o espelho via essa carne partida, esse bolo partido.
assim um dia acordei,
peguei tudo ensacado e embalado a vácuo,
e te desejei boa sorte,
querendo te mandar na verdade, pros quintos dos infernos.
antes de sair de mala e cuia,
não tinha a certeza de nada,
de como seria minha volta pra vida,
a única certeza certa,
era a de que nunca mais,
era nunca mais,
mas nunca mais,
e nunca nunca mais mesmo.

ultimamente

por mais que eu não queira olhar pra trás,
eu me volto e vejo o passado,
que me pergunta,
por onde anda você.
Eu precisava estar ao seu lado,
sentindo a força do seu pulso forte,
me dizendo: vai filha....vai filha.
que ilusão a minha.
de onde foi que inventei que um dia teve um pulso forte?
que ilusão a minha, que desejo louco, que isso tivesse sido verdade,
dizendo: não tem pedra, não tem medo, não tem pesadelo. E esta chuva lá fora é só a natureza e vai passar, esta angustia ai dentro vai passar, sua solidão é só dia dia da rotina e vai passar, vai que a vida te espera lá fora, põe a cara fora da janela....
mas, que ilusão a minha, que desejo louco, que isso tivera sido verdade.

mas onde estará?
mesmo assim sinto saudade,
e quando olho no espelho vejo teu rosto,
sinto orgulho e medo, vejo de onde vim,
você foi um homem bonito,
seus olhos vivos, ficaram cansados,
será que foi a chuva,
que nunca passou que cravou seu rosto?
ou terá sido só o peso do tempo a desilusão ou a rotina?
nos meus passos, caminhando vou,
seguindo minha rotina, sem que a chuva passe,
sigo com a imagem de Cristo,
e as vezes peço a ele que seja meu pai,
que feche esta janela,
para que eu não veja o relâmpago que está la fora.


noite boa foi aquela

noite boa foi aquela,
tomamos cerveja atras da outra,
e em meio nossa embriaguez,
eu só entendia o quanto te queria entre minhas pernas.
você só entendia o quanto queria em pé e deitada,
e me falou de olhos bem vermelhos:
dorme comigo, fica comigo, acorda comigo.
Eu fui boi na boiada,
peixe na sua rede,
o que era proibido,
ficou sem ser.
de manhã eu tinha marcas no pescoço,
e você marcas por todo corpo,
eu trabalhei com camisa de gola alta,
com um sorriso safado no canto do lábio,
que ainda exalava você.

Tai

Ainda existem coisas,
Nas quais não ouso tocar,
Não abro gavetas,
Não mexo na roupa pendurada,
Não mudo os móveis de lugar,
Não ouso pensar,
E não quero ousar.
Ainda existem coisas,
Existem ainda coisas mofadas,
Deixadas de lado,
Nas quais não ouso pensar,
Uma lágrima escorre aqui,
E a outra acolá,
Dia sim e outro também,
Com vontade própria,
Sem tocar o pensamento,
Escorre com vida própria,
Propriamente escorrida,
E eu nao tenho nada a declarar,
Uma pomba voou da janela,
Do 13º andar,
E está declarado.

vida alugada

quando moramos fora,
alugamos uma vida,
onde os travesseiros nunca vão ter o cheiro,
da sua mãe,
da sua vó,
do seu próprio cabelo,
as cores da bandeira ficam opaca,
e você perde a identidade.
vez em quando você olha no espelho,
e vê seu pai, sua mãe e o seu cachorro refletido,
e você vai "grisalhando" rápido.
você aluga uma vida,
por um tempo,
perde sua essência,
e muda de pátria descaradamente,
limpa coco, limpa xixi,
limpa coco e limpa xixi,
sua bandeira vai perdendo a cor e fica cinza,
despatriado você se sente eternamente,
mesmo quando volta pra casa,
já não é a sua casa,
quando toca o hino,
você dá risada,
descaradamente.
seu hino já não é seu hino,
você é orfão,
de pai, de mãe, de cachorro e papagaio.

sábado, 2 de junho de 2012

germes

eu vejo nos olhos das pessoas,
o que não quero ver.
o respiro de cada dissimulação,
de cada suspiro venenoso.
e pra que?
para manter o emprego,
para o aumento de salário,
para levar a fama de algo,
mas de verdade....pra que?
os germes se espalham,
as bactérias contaminam,
em cada sorriso dissimulado,
em cada passo falsificado,
mas meu deus....de verdade....pra que?
let me out of here.


acabou

não sei se eu,
não sei se tu,
não sei quem acabou com quem...
o espaço para a falta de explicação,
a culpa sei se eu,
sei se tu,
de não querer mais saber,
acabou...
o já sentir a falta do cheiro,
o já sentir a falta do peso na cama,
o desespero ao fechar os olhos,
o desespero ao termino do dia,
o desligar da Tv,
o despertar do relógio,
o acordar do vazio,
o viver sem ter a volta,
o medo de não querer ouvir,
acabou....acabou....acabou....
o acabou de verdade,
não o acabou do blefe,
da briga e do charme,
o da certeza do agora o da verdade
acabou.
não sei se eu,
não sei se tu,
eu sei que eu.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

boca ardente

ainda que soubesse desvendar sua boca macia,
suave, delírio em brasa,
em cima em baixo,
dos lados palpitando em língua ardente,
me beijando, aquecendo a mente,
aqui, ali, deslizando pro abismo do meu riacho.
Ainda que soubesse boca ardente,
que estou doente, delirantemente, viciosamente,
quero ser a prisioneira da sua boca ardente,
e viver dessa masmorra, dessa Sodoma, dessa Gomorra.

tropeços

nesta vida que chamamos de louca,
passo- a- passo, ano- a- ano
deixamos que ela nos arranque pedaços,
uma vem nos dá uma flor e esta morre,
vem outra e nos dá colo e nos encostamos já com medo,
quando nos aconchegamos ela levanta e vai embora,
vem a outra nos dá o lenço,
quando enxugamos a lágrima ela nos faz chorar novamente,
vem este vento que traz a chuva,
vem a chuva para limpar a poeira,
vem a palavra e vem o silêncio,
vem o tombo e vem o tropeço,
e o tropeço fica e não vai embora.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

exilio

exit exílio
exit exílio
exit exílio
exit exílio
exit exílio
exit exílio
exit exílio
exílio
exílio
follow the exit sign
the end.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

a porta

Existe em mim essa porta,
Por onde ninguém entra e ninguém sai,
Ninguém sabe da existência dela,
Nem o que ela guarda,
Está trancada há muito tempo,
Não sei mais onde está a chave,
E não quero chamar o chaveiro,
Não quero chamar ninguém,
Deixa ela assim,
Mesmo que for aberta,
Eu sei que está emperrada,
Deixa ela assim...

I hit the bottom

a menor parte de mim,
é a que keeps me going,
I hit the bottom,
e ninguém percebeu,
tudo pode ser sem graça,
mas eu tiro uma foto sorrindo,
e "post" no facebook,
com cara de feliz,
I hit the bottom,
e a maior parte de mim,
não está mais aqui,
a maior parte de mim,
é papel queimado com isqueiro,
e meu coração,
é feito de papier maché,
queimado com querosene.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Fernando


Vou encenar meu melhor papel
Encenado muitas vezes neste palco de ilusão
O ato da fuga
Porque viver não é preciso, mas navegar sim
Fernando era uma besta
Viver e preciso e navegar não
Ancorar sim
E ir de vento em popa só de vez em quando
Por que o vento dá ruga na cara
E ruga na cara sem memórias não e vida que se preze Fernando

raining cats and dogs


For god that a don´t give a fuck
I feel falling like a  shooting duck
Emptiness is the new word
In this underground world
Blind colors like a crazy dog
I kick the dog I shoot the dog
I don’t give a god damn fuck
I should have became a homeless
Instead of trying so hard to be like you
Like you like a dog like a god like a hot dog
I like to rime odds and dogs and gods
Make me feel pathetic and that´s all
Pathetic is the new work
It´s just dad a isms just rimes
Don’t worry there is no pain in my game.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

my quotes

"todas as estórias de vida são extremamente interessantes, é necessário somente saber narrar de forma igualmente interessante"

"é preciso ter muita vontade e disciplina para desenvolver, começar e terminar um projeto"

"Infelizmente somos inteligentes o bastante para saber que somos explorados e suficientemente covardes para aceitarmos"

"simplicidade normalmente pode ser confundida com idiotice"

"as pessoas necessitam de enfeitar a realidade com sorrisinho calado"

"extremamente necessário não julgar as escolhas alheias"

"mesmo que ninguém acredite nas suas idéias é preciso ser teimoso e continuar"

"procuro ficar calado em casos extremos, você não é dono da verdade"

"uma das coisas mais difíceis da vida e ter consciência que alguém sempre vai tirar algo de você"

"quando você escolhe o caminho contrário de seu coração, você dirige por um caminho com view para a infelicidade"

"é preciso vez em quando olhar pra dentro de si mesmo"


domingo, 20 de maio de 2012

e se não existir ninguém?

E se não existir ninguém?
nem pai do céu...
nem criador....
nem criatura criada....
o que faço com meus 34 anos....
minha esperança,
minha fé,
meu caminho,
meu futuro e meu nada?
E quando eu estiver com sono,
Com dor,
com falta,
cansada, revoltada,
Em que devo acreditar?
No espelho? No meu tênis?
Rezo pra quem? Para o telefone? Para o interfone?
E se não existir ninguém?
Nada?
O que eu vou fazer,
quando alguém estiver doente pra morrer?
Para quem eu rezo? Para quem eu peço?
O gato do vizinho?
Para as pedras da rua?
Para o policial da esquina?
Para o hamburguer do MC Donalds?
Por favor alguém me diz para quem eu rezo,
Quando precisar rezar,
Para quem eu agradeço,
Quando eu tiver meus dias felizes,
Para as folhas....obrigado....para os patos.....obrigado.
Para quem eu peço quando olhar para o céu,
Para as nuvens?
Por favor, alguém...para quem?

uma pomba na minha janela

Me sobrou,
Foi um quarto sossegado pra dormir,
Onde de vez em quando aparece uma pomba na minha janela,
Que se esconde da chuva lá fora,
O que me sobrou não sou mais eu,
Mas o restinho que fui,
Sonhos, promessas e desilusões,
Me sobrou um coração despalpitado,
Com medo da chuva lá fora,
Tudo que sobrou,
Não sou eu nem foi você, mais pedaços de tudo,
Foi esse quarto, com cortinas de flores cor de rosa e sem endereço,
Onde o telefone não toca nem por engano ou apreço,
Meu abrigo longe da chuva,
Onde saio e volta sem ter ninguém pra perguntar onde e com quem,
Me sobrou esse abrigo,
Onde apareceu essa pomba na minha janela,
Ela tem medo da chuva eu também,
Ela tem tempo de olhar lá fora, e eu de olhar pra ela,
De alimentá-la com as minhas pequenas migalhas.



Estou longe

Eu estou muito longe,
E ainda tenho que atravessar a Broadway,
E atravessar um city,
E evitar ser barrada pelos cops,
E seus bafômetros enfim.
Uma lágrima escorre,
Ruas vazias, volante gelado,
Nesta altura a bebida,
Faz a mistura entra a emoção de estar só e longe com tonterias que vem a cabeça,
Ponho um chiclete na boca e respiro e penso: os do Brasil eram melhores,
Melhor é voltar,
Não melhor é partir!
Quando começo a comparar marcas de chicletes,
Do sentimento mais sério e triste,
Amor, solidão e fim de noite,
E extrair um fato cômico,
Marca  de Ping Pong.


Valeu!

Valeu!
Ter me ensinado sobre o amor,
Aprendi que palavras de amor,
É um script lido repetidas vezes,
É o decorar do seu papel.
Valeu!
Ter me ensinado a usar mel,
Pra disfarçar o nosso amor amargo,
Redução de fel.
Valeu!
Ter me ensinado que a transparência,
É ter que ouvir mais tarde um capítulo distorcido,
Valeu!
Ter me deixado a porta aberta,
Para que eu saísse sem alarde, sem acordar o cachorro.
Valeu!
Ter me ensinado como é rápido um sorriso se tornar amarelado,
Como é fácil pegar a estrada para o abismo,
 E não enxergar a placa DO NOT ENTER.

você deve entender

Deve entender,
Pra sentir ódio de outro,
Você comece por você,
Não se permita,
Não se permita,
As experiências ruins valem a pena,
As alegrias que teve com alguèm,
São meramente passageiras,
E as amargas se tornam patéticas,
Você tem que entender,
Não vale a pena o ódio,
E as vezes nem o amor,
E a piedade,
Nessa vidinha passageira e tétrica.

a quem possa interessar

A quem possa interessar,
Eu tô sozinha,
Aquela menina bonita,
Que beijava a boca com intensidade,
Não é mais nada,
Um grande muro de concreto transparente,
Entre a confissão e o credo,
Ainda sem saber,
Se devo ou não chorar no fim do filme,
E quando choro, não sei se só os olhos,
Ou meu ser se sente complacente,
Adjacentemente fugitivo,
Com esse grande muro de concreto transparente,
Nos meus sentidos.
Atenciosamente.

então aqui estou

Então aqui estou,
Depois de tempos turvos,
Tempestades abafantes,
Aqui estou com essa dor presente,
Usando-a constantemente a dar a inspiração,
Transformando terror em tentativa,
Tentativa de arrancar a ferida junto com o curativo,
Vencendo a cada dia que passa,
Respirando devagar a cada passo,
Passito por passito aqui estou.

os barcos

Navegam em várias direções,
Sinônimo de liberdade,
Mas você não entende e não vai aprender,
A sua navegação navega em margens,
A minha não.
A água ensina e diz: sou pura, existo, navega em mim, escolhe a direção
Eu não quero navegar buscando margens,
A margem limita, oprime
A sua margem é assim, tão limitante! Irritantemente limitante!
Mas existe o vento,
E o vento me soprou pra outro lado,
A margem segura e inexistente ou temporária,
E aportar nessa margem é ilusão de marinheira missionária.

Lupa

Não foi meu bem a sua intenção de machucar,
Pra se sentir forte e robusta?
Que feio...
A vida é bulmerangue,
E ele realmente vai voltar,
Hoje eu comprei uma lupa,
Que levo pra todo lugar,
Arrumei armário,
Tirei as roupas do lugar,
Janela limpei fresta por fresta,
E deixei o ar entrar,
Limpei jaqueta mofada,
"Spreei" bom ar. 

Meu mundo diferente

Hoje sou outra,
Tenho um novo endereço,
Não me embruteci,
Não quero e acho que não vou,
Vou caçar meus sonhos,
Vou pegá-los de volta do fundo daquele baú,
Quero sorrir sem neblina,
Não quero mais esse sorriso neblinado,
Quero um mundo sem fog, sem cinza,
Sinto ainda calejada,
Mas vou tirar tudo de dentro do baú,
E só vou colocar de volta,
Aquilo que presta,
Aquilo que presta,
Aquilo que presta.

campeonato

Coloca o seu time para jogar com o meu,
Põe seu time dentro de campo pra jogar com  o meu,
Jinga agora um pouco o corpo pra encostar no meu,
Desce o time devagar agora pra defender o seu,
Deixa deslizar nas pernas e não esquece o meu,
Deixa eu te falar no ouvido,
Que o primeiro gol foi seu,
Então sobe todo o time agora que eu quero,
Um beijo teu.

fugi escapei

Gozado foi que a loira me quis,
Me seduziu comprimiu seu corpo contra o meu,
No banco traseiro do carro,
Inventei uma desculpa, fugi e escapei,
Gozado foi que a morena me quis,
Fez promessas de mudar de vida,
Me pediu ajuda,
Que me achava forte e robusta,
Que por mim molhava as calcinhas,
Inventei uma desculpa, fugi e escapei,
A outra loira também me quis,
Disse que eu era assim...sem explicação,
Não sabia se eram meus olhos assim,
Ou se eram minhas mãos,
Não quis saber,
Inventei outra desculpa, fugi e escapei,
Eu sou assim.... uma mistura de squeeze limão,
Com mão engordurada.

alheio a tudo

Ter a coragem de escrever e publicar,
E ter coragem e não estar de acordo com a opinião alheia,
Nem a sua própria opinião
É se desprender da pedra da cachoeira,
É um free falling,
Uma tentativa desesperada do agora foda-se,
Do sem do não do porque do com sem sei lá,
Nem de mim nem de você,
Do nada do tudo do alheio do remoto,
Do superflo gozo, do gemido do rosnar,
Do foda-se mesmo,
Do foda-se você,
Do foda-se mim,
Do foda-se nós,
Amém.

choro porque não virei pedra

Ultimamente tem sido no choro,
Que eu marco um encontro comigo mesma,
Que eu me vejo viva,
Que eu me vejo respirar,
Que eu me vejo fumar,
É só quando eu choro,
E só marco esse encontro de vez em quando,
Quando não tem ninguém me olhando,
Nem eu mesma, a me espionar,
Quando choro vejo que ainda posso sentir,
Sentimento de choro é vida,
Me alivio quando me descubro ainda,
Que não virei pedra de pedreira,
Quando eu choro me lembro das pedras,
Que vou deixando para trás.

Um poço fundo

Acho que me tornei,
Com o passar dos anos,
Um poço fundo e seco,
Esqueci que um dia tive sonhos,
Esqueci dos sonhos que tive,
Quando olho para trás,
Nem sei mais quem sou e para onde quero ir,
Felicidade...felicidade,
Essa senhora que deixei para trás,
Hoje não sei onde mora e só sei o seu nome,
É triste eu sei dona felicidade,
Essa vida cheia de contas pra pagar,
Coisas pra fazer,
Trabalho para trabalhar,
Trabalho para atrapalhar,
Hoje vejo as coisas que construi,
Materialmente...poço seco e fundo,
Poço seco e fundo,
Sonhos que não construi.

cambaleando eu cheguei aqui

Até álcool com groselha eu já tomei,
Verdade!
Metado dos lugares me foge a lembrança,
Sensação de estar perdendo a memória a cada dia que passa,
As vezes eu mesma penso que estou inventando,
O cheiro e e o gosto da álcool é que não passa,
A lembrança do arrependimento não passa,
Segurando pelas paredes eu fui,
Tantas vezes eu fui até chegar aqui,
Vomitando eu fui,
Não sei se ainda tenho fígado,
Mas um exame recente me disse que sim,
Todas as manhãs aquela sede,
Os sonhos com rio, água, torneira, bebendo desesperada de manhã,
A verdade é que minha adolescência foi foda,
A verdade é que eu estou aqui,
Sobrevivida!

muita gente

Estive em muitos lugares e conheci muita gente,
Os nomes não me lembro mais,
E de instante em instante me esqueço de mais,
Me lembro do gosto azedo
Me lembro do amargo,
Da cabeça rodando constantemente,
Dos olhos vermelhos,
Os faróis que piscam,
Os dedos que deslizam,
Por de baixo da calça e da camisa,
O beijo com gosto de cachaça,
De peppermint, bala de canela e cigarro.